TÚNIS

Tradição muçulmana, influência francesa e uma introdução para ver história e o mar no Norte da África

O que fazer em Túnis, como ir, onde ficar, quanto custa, roteiro, dicas de viagem barata

Publicado em: 07/10/2019

Quando fui: Julho de 2019

 

Quanto tempo: 2 dias

A capital da Tunísia reúne um pouco de tudo que esta interessantíssima nação do Norte da África oferece aos turistas, é a introdução essencial para uma viagem que proporciona a oportunidade de vivenciar a tradição muçulmana, em um lugar com influências francesas, muita história e cultura. Túnis é a porta de entrada para um país que também conta com belas praias no Mar Mediterrâneo e tem o Deserto do Saara como destaque. É uma cidade que faz um resumo do que é o “mundo árabe”, acolhe bem o estrangeiro e ainda possui atrações imperdíveis em seus arredores, como a pitoresca vila de Sidi Bou Said e as ruínas de Cartago.


Viajei pela Tunísia durante oito dias, sendo dois desses dias na capital, em julho de 2019, dez anos depois de ter o meu primeiro grande choque cultural quando estive no Marrocos em 2009. São dois países que apresentam muitas semelhanças, ficam bem perto da Europa, têm preços baixos e são ótimas opções para quem quer conhecer a religião islâmica e seus costumes. A Tunísia é um destino um pouco menos turístico, até por isso o viajante tem estresse menor quanto a abordagem de vendedores insistentes, por exemplo, coisa que incomoda mais em cidades marroquinas. Pelas experiências anteriores que tive em países muçulmanos e também pela evolução natural dos povos, desta vez o impacto foi menor. Mas, claro, ainda há contrastes, e algumas orientações que não estamos acostumados precisam ser seguidas, principalmente para as mulheres, como não usar roupas curtas.
 

Mas essa e outras diferenças culturais são normais, o lance é não se estressar, respeitar e entrar no clima. À primeira vista, Túnis pode até parecer uma “confusão”, mas é justamente andando sem pressa pelo labirinto de vielas da Medina (o centro histórico), em meio a bastante gente, mesquitas, mercados, lojinhas e cafés, conversando com os tunisianos e entendendo um pouco da vida local, que a cidade começa a ficar cada vez mais interessante e agradável. Pra quem fala francês, melhor ainda, já que é a segunda língua da população. Minha dica? Não deixe a capital fora de um roteiro pelo país. Comece por lá, aproveite e depois vá curtir as praias de Djerba e o Deserto do Saara.

             TRANSPORTE:

 

Estávamos em Menorca, na Espanha, e chegamos em Túnis saindo de lá em um avião da Vueling, com conexão em Barcelona, por 143 euros em plena alta temporada de verão, e 1h45 de viagem nessa última perna. Para ir embora do país, voamos de Djerba diretamente para Paris, pela Transavia, por apenas 29 euros em um trajeto de três horas. Pela ligação histórica e mesmo atual entre França e Tunísia, existem muitos voos entre os dois países, mas também há opções partindo de outras cidades da Europa. Depois de conhecermos a capital, fomos até Hammamet, fechando um carro com motorista no hostel que estávamos. Como éramos quatro pessoas, valeu a pena, pagamos um total de 50 euros, ou 12,50 euros cada um, com direito a uma parada antes para curtir a bela praia de Kelibia e almoçar por lá, saindo cedo e chegando à tarde. Mas existem várias opções para se deslocar para outras cidades do país, como ônibus, ou os chamados “louages”, que são vans compartilhadas e têm menores, além de algumas linhas de trem e voos.


Para circular dentro de Túnis, entre a Medina histórica e o centro da cidade nova fizemos tudo a pé. Usamos o metrô (que na verdade é um trem de superfície) apenas para ir até o Museu Bardo. Para ir a lugares nos arredores, como Cartago e Sidi Bou Said, pegamos o trem TGM saindo da estação Tunis Marine, que custa só alguns centavos de euro e demora cerca de 30 minutos até a estação Carthage Hannibal ou Sidi Bou Said. No entanto, esteja preparado para um esquema bem roots, com grande desorganização, vagões lotados e muito calor. Nas duas ocasiões nós decidimos voltar de táxi, já que o custo é baixo e o conforto incomparável. Pagamos 30 dinars (10 euros) de Sidi Bou Said até a Medina à noite e 6 dinars (2 euros) do Bardo até a Medina. Também vale a pena pegar táxi ou reservar um carro com o hotel para ir do aeroporto até o centro, trajeto que não deve custar mais do que 15 dinars (5 euros). Porém, nunca é demais lembrar para negociar bem o preço do táxi antes e ficar atento no taxímetro, já que golpes são frequentes nessas situações.

              HOSPEDAGEM:

 

Nós queríamos ficar hospedados em um lugar tipicamente tunisiano, com localização central, baixo custo e boas recomendações. Conseguimos tudo isso no Dar Ya, uma espécie de pousada, ou dar (casa, em árabe), como eles chamam por lá, que fica dentro da Medina de Túnis, com acesso fácil a pé para os principais pontos turísticos da cidade. O preço foi de 45 euros para um quarto duplo com decoração árabe (veja fotos na galeria), ar condicionado, banheiro compartilhado e café da manhã incluso. Não existe a opção de suíte no local, mas isso está longe de ser um problema para quem está habituado a ficar em hostels e viajar no esquema mochileiro. Vale destacar o estilo do pátio interno do casarão histórico construído no século XIX.


E vale destacar também principalmente a recepção que tivemos, especialmente do Youssef, mas também de toda a equipe, que formam uma verdadeira família e nos fizeram sentir em casa. Uma amostra dessa hospitalidade aconteceu logo no dia que chegamos, por volta da meia-noite, quando ele nos levou a uma lanchonete bem barata para comer um sanduíche local, além de dar várias informações e dicas para aproveitarmos bem a viagem. Também tivemos a facilidade de contratar lá o motorista da pousada, o “Tutu”, que nos buscou no aeroporto e depois nos levou até Hammamet. A nossa satisfação do tempo que passamos na capital da Tunísia tem relação direta com a forma como fomos bem tratados e a ótima estadia no Dar Ya. Por isso, é indicação certa!


Para quem preferir hospedagens mais simples e mais baratas, ou melhores e mais caras, Túnis oferece todas essas possibilidades. Mas a recomendação é ficar sempre bem localizado, ou dentro da Medina histórica para uma experiência mais autêntica, ou logo ao lado na cidade nova, que conta com alguns hotéis maiores e mais modernos

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              O QUE FAZER:

O ponto de partida para conhecer Túnis e viver a experiência de um destino árabe e muçulmano é a Medina, o centro histórico, onde estão concentrados as principais atrações. Nesta parte antiga da cidade, o ideal é caminhar sem pressa pelas ruazinhas estreitas para pedestres, onde ficam os chamados Souks, ou mercados, que são inúmeras lojinhas que vendem de tudo, de especiarias a perfumes, roupas, artesanatos, utensílios para casa, souvenirs, etc… O movimento de locais e turistas normalmente é grande e o espaço é pequeno, mas depois do primeiro dia de viagem a gente acaba se acostumando com essa “bagunça”. A dica é se perder (e é fato que alguma hora se perde mesmo neste labirinto…) na mistura de sons, cheiros, cores e sabores. Se quiser comprar algo, pechinche muito que o preço sempre cai, e fique esperto com os vendedores malandros.


Dentro da Medina, o maior atrativo é a Mesquita Zitouna, a segunda maior da Tunísia (a primeira é a de Kairouan), com um amplo pátio central e bonito minarete, local sagrado para o islamismo, onde os mais religiosos fazem as cinco orações diárias. Para quem não é muçulmano, a entrada só é permitida em determinados horários, geralmente no período da tarde. Cheguei a ler em alguns lugares que o acesso seria proibido para pessoas de outras religiões, mas não tivemos problema com isso e entramos inclusive na parte interna da sala de reza, de forma gratuita. Lembrando que para entrar é obrigatório o uso de roupas adequadas, que escondam os ombros e os joelhos, e as mulheres também precisam cobrir o cabelo com um lenço. Nos arredores da mesquita, alguns homens ficam oferecendo para levar os turistas a terraços com vista panorâmica, provavelmente em troca de algum dinheiro. Mas, para quem não quiser pagar por este mini tour com um “guia” local”, é perfeitamente possível ir por conta própria. O lugar mais conhecido e com a melhor vista do alto da Mesquita Zitouna e de boa parte da Medina é o Café Panorama, com decoração típica cheia de azulejos e mosaicos, que costuma ter mais gente no fim da tarde, quando o sol está mais baixo.
 

Também existem por ali diversas outras mesquitas menores, com a Sidi Youssef Dey, além de palácios, medersas (ou madrassas, em português, que são escolas muçulmanas) e hammams (banhos típicos árabes). Repare ainda nas enormes portas das construções antigas, bem trabalhadas e com alguma simbologia. Em uma das extremidades da Medina, outro ponto de interesse é a Praça Kasbah, onde fica a mesquita de mesmo nome, a Prefeitura de Túnis e logo em frente estão a Praça e o Palácio do Governo. Na outra extremidade, do lado oposto, está a Praça da Vitória (Place de la Victoire), onde fica a principal porta de entrada da Medina, a Porte de France ou Bab Bahr. Este ponto marca a divisão do centro histórico com a parte nova de Túnis. 
 

Na cidade nova, ou Ville Nouvelle, as ruas são maiores e há circulação normal de veículos, mas também bastante gente e comércio por todo lado. É praticamente uma 25 de Março para os paulistas ou Saara para os Cariocas. Nesta região, vale pelo menos andar pela Avenue Habib Bourguiba, a principal avenida da cidade, e dar uma passada pela Praça da Independência, onde fica a Catedral de São Vicente de Paula e o letreiro “I love Tunis”. A outra atração famosa da capital é o Museu Bardo (ingresso a 13 dinars, ou 4 euros), que fica 4km fora do centro, mas facilmente acessível de metrô ou táxi. O museu apresenta um grande acervo que conta a história do Norte da África, tem mosaicos romanos e algumas salas com arquitetura típica, mas não chega a ser nada tão imperdível assim, a menos que você tenha grande interesse pelo tema. Em dois dias, deu tempo de conhecer o que Túnis tem de melhor.

               SIDI BOU SAID E CARTAGO:

 

Um passeio imperdível que fizemos quando estivemos na capital da Tunísia foi para Sidi Bou Said, uma vila com características únicas no país, situada no alto de um morro de frente para o mar, cheia de casinhas brancas com portas e janelas azuis, em um estilo bem parecido com ilhas da Grécia. Fizemos um bate-volta no mesmo dia para esse lugar especial nos arredores de Túnis, a 20km de distância, e ainda aproveitamos para visitar também as ruínas de Cartago, que ficam no caminho, logo ao lado. Existem alguns tours organizados pra lá, mas fomos por conta própria de trem e voltamos de táxi (leia mais acima sobre o transporte).


Começamos no início da tarde por Cartago, uma antiga cidade fundada pelos fenícios que, na Antiguidade, rivalizou com os romanos pelo controle do Mar Mediterrâneo e foi destruída nas Guerras Púnicas. O sítio arqueológico de Cartago é formado por várias ruínas que ficam nesta área, e nós visitamos as duas principais. O ingresso que dá acesso a todo o complexo custou 12 dinars (4 euros). Primeiro, fomos na colina de Byrsa, de onde se tem uma vista panorâmica da região, além do museu e da Catedral de São Luís ao lado. Depois, descemos andando até os Banhos de Antoninos, onde ficavam as termas romanas, local um pouco maior e mais preservado do que o anterior. Há outros pontos de interesse por ali, como a vila romana e o anfiteatro, mas passamos rapidamente apenas pelo antigo teatro, antes de seguirmos o passeio. Fazia um calor de quase 40 graus e havia pouquíssimos turistas.


Na sequência, pegamos um táxi pra ir mais rápido e em no máximo dez minutos chegamos em Sidi Bou Said. Ainda com o sol bem forte no fim da tarde, caminhamos pelas ruas de pedra cercadas por casas com arquitetura peculiar, lojas de souvenirs e incontáveis cafés. Mas logo subimos para a parte mais alta do morro e entramos no lugar mais famoso e mais fotogênico da vila, o Café des Délices, a partir de onde se tem uma bela vista panorâmica do Mar Mediterrâneo e da praia que fica abaixo. Apesar do preço ser mais alto do que a média, é um país barato, então comemos por lá mesmo, por 35 dinars (11 euros) um prato de frutos do mar. Na verdade, queríamos é tomar umas cervejas para refrescar e apreciar o visual, mas nada de bebida alcoólica. O jeito foi tomar suco, café e chá (o chá de menta com pinhão é o mais tradicional), apreciar o visual e esperar o pôr do sol. Outro local conhecido em Sidi Bou Said é o Café des Nattes, no alto de uma escadaria, com um interior bem decorado, mas sem vista para o mar, e no mesmo esquema tunisiano de chá e shisha (narguilé). No início da noite, com a temperatura mais amena, andamos mais um pouco pelas ruas e finalmente paramos para tomar cerveja e vinho (uma garrafa a partir de 34 dinars, ou 11 euros) no bar The Lounge Dar Zarrouk, um dos poucos lugares onde a venda de álcool é permitida.

              COMER E BEBER:

 

Para quem não tiver frescura e quiser economizar com comida, o lance é aproveitar as lanchonetes que vendem sanduíches no estilo kebab, de carne, frango ou cordeiro, com preços a partir de uns 5 dinars (1,50 euro). Mas, claro, também há opções de restaurantes com boa variedade, servindo desde o tradicional cuscuz local até refeições ocidentais, com pratos a partir de uns 10 dinars (3 euros, e mesmo os lugares melhores não são tão caros assim. A especialidade tunisiana que mais comemos e mais gostamos é o brik, uma espécie de pastel frito que vem de entrada, que pode ser recheado com ovo, carne, frango, atum, camarão… Entre os doces, vale destacar o balbalouni, um espécie de bolinho de chuva com açúcar por cima, bastante vendido em Sidi Bou Said.


É bom ficar atento quanto aos horários, pois dentro da Medina muitos lugares só abrem para o almoço. Para o jantar ou para curtir a movimentação à noite, a indicação é ir para a parte nova da cidade. É nesta região onde há a maior chance de encontrar cerveja, já que na Medina não vende bebida alcoólica. Não é em todo lugar que se encontra álcool e os muçulmanos mais conservadores não bebem, ficam mesmo no chá ou café, mas em geral a Tunísia é um país mais liberal em relação a outros destinos islâmicos. Existem vários restaurantes e bares na Avenue Habib Bourguiba e ruas próximas onde é possível comprar cerveja e afins. Alguns são até mais agitados, com música e que ficam abertos até de madrugada, principalmente nos finais de semana, como o Le Théâtre des Marionettes Resto Bar, onde pagamos 6 dinars (2 euros) na long-neck da cerveja tunisiana Celtia.


Também assistimos em um bar à vitória da Tunísia sobre Madagascar, pelas quartas de final da Copa da África de futebol, com direito a uma cena marcante de celebração de milhares de pessoas nas ruas, cantando e fazendo festas. Já pra quem gosta de fumar, o que nunca falta por lá é a shisha (ou narguilé), um hábito inconfundível nos países árabes.

              IMPERDÍVEL:

 

- Vivenciar a experiência da “confusão” no labirinto de vielas da Medina histórica, com destaque para a Mesquita Zitouna.


- Visitar a pitoresca vila de Sidi Bou Said, em um morro de frente para o mar, com casinhas brancas no estilo Grécia.


- Pechinchar sempre, em todas as compras nas lojinhas dos Souks, além de negociar bem antes o preço dos táxis.

QUER SABER MAIS SOBRE TÚNIS ? ACESSE TAMBÉM:

 

- Site oficial da Tunísia

 

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