CHERNOBYL 

Uma visita à cidade fantasma e à usina do maior acidente nuclear da história

Publicado em: 02/06/2016

Quando fui: Junho de 2012

 

Quanto tempo: 1 dia

O maior acidente nuclear da história do planeta matou milhares de pessoas, obrigou famílias a abandonarem às pressas as suas casas, causou doenças e sequelas em crianças e danos ambientais incalculáveis. O dia 26 de abril de 1986 ficou marcado negativamente ao gerar consequências eternas e irreversíveis. Foi o dia em que o reator número 4 da usina nuclear de Chernobyl, na antiga União Soviética (norte da Ucrânia, perto da fronteira com a Bielorrússia), explodiu e liberou material radioativo afetando e contaminando toda a região, forçando o isolamento de uma área de 2.600 km2.

Por mais inusitado que seja, o local deste desastre gigantesco virou ponto turístico anos depois, daqueles destinos que poucos têm a oportunidade de conhecer, visita que inclui instalações da usina e a cidade fantasma de Pripyat. E por mais exótico que pareça, é perfeitamente possível ir até lá, em tours guiados a partir da capital Kiev (que fica a 110 km de distância), com todo esquema de segurança para se evitar a exposição à radiação que ainda existe em diversos lugares.

O cenário sinistro, que virou até tema de filmes de terror, mostra casas e edifícios abandonados, tomados pelo mato, com vários móveis e objetos (bonecas, quadros, máscaras de gás...) que foram deixados para trás há 30 anos, além dos reatores que restaram na usina nuclear.

O número de mortes por causa do acidente é discutível, mas estima-se que cerca de 4000 pessoas foram afetadas e morreram por doenças ligadas ao fato, como câncer na tireoide. Devido à explosão, 150 mil moradores foram evacuados da região e foi criada uma zona de exclusão. Na época, o governo da União Soviética não avisou as autoridades dos outros países sobre o desastre, e o mundo só tomou conhecimento do ocorrido dias depois, quando efeitos da radiação (equivalente a 400 vezes a bomba atômica de Hiroshima) foram sentidos até na Suécia, Holanda, Bélgica, Reino Unido, Eslováquia, Romênia, Bulgária, Grécia, Turquia e Polônia, além de Ucrânia e Bielorrússia.

Construída em meados dos anos 70, a usina de Chernobyl foi desativada apenas em 2000, continuou funcionando mesmo após o acidente por causa da necessidade de gerar energia para o país. Atualmente, apenas poucos trabalhadores ainda vivem por lá (mas precisam fazer um revezamento e deixar o local após alguns dias), na construção de um novo sarcófago reforçado para abrigar o reator 4 e conter a radiação, que ainda é uma ameaça.

             O TOUR:

 

Antes da partida de Kiev logo cedo, o guia confere se todos levaram o passaporte e estão vestidos com roupas adequadas (nada de chinelo, sandália aberta, bermuda, saia ou camisa regata). Com um pequeno atraso, a van com o nosso grupo partiu umas 9h, e depois de duas horas na estrada com direito a um vídeo contando a história de Chernobyl, entramos na zona de exclusão de um raio de 30km a partir do reator 4. Neste primeiro checkpoint em Dytyatky, os militares checam o passaporte dos visitantes, a declaração de que você está ciente que vai entrar em uma zona radioativa e toda a documentação da agência. A rígida barreira de segurança também conta com um aparelho que mede o nível de radiação de cada pessoa que passa por ali, procedimento necessário na entrada e na saída.

Vale citar que o pouco tempo que nós turistas ficamos expostos à radiação não oferece perigo à nossa saúde. Mas, claro, é preciso seguir regras por lá, como sempre andar na trilha estabelecida, não pisar em poças d’água ou determinadas plantas e não tocar em nada sem permissão do guia, já que tudo isso pode estar contaminado.

Depois de cruzar a “fronteira”, a primeira parada é na antiga vila de Chernobyl, onde vemos casas abandonadas, veículos e máquinas usadas na tentativa de limpar a radiação e um monumento em homenagem aos bombeiros e funcionários que trabalharam para salvar vidas. No caminho, é possível observar uma grande área de floresta, que virou habitat para animais selvagens. Existem também várias placas de alerta por causa do material radioativo.

Depois, passamos em mais um checkpoint, o Leliv, entrando em um raio de 10km do lugar da explosão. A todo momento, o guia anda com um aparelho na mão que mede a radiação, e o nível vai aumentando ou diminuindo dependo de onde nos aproximamos. Então, um dos momentos mais esperados é a parada em frente ao reator 4, a uma distância de 270 metros dele, o epicentro do desastre nuclear. Dali, também é possível ver outros reatores e o novo sarcófago que está sendo construído. Após um tempo para fotos, paramos para comer em um refeitório dentro das instalações da própria usina, lugar que também serve comida para os trabalhadores de lá.

À tarde, o outro ponto alto do tour: a cidade fantasma de Pripyat, onde viviam os trabalhadores da usina e famílias. Os 50 mil moradores só foram avisados da gravidade da explosão dias depois e tiveram que ser evacuados, mas pensavam que voltariam após um tempo, o que nunca aconteceu. O cenário atual ali é chocante. Prédio vazios com a mobília e objetos deixados para trás, bonecas e brinquedos de criança pelo chão, pedaços de roupa, edifícios deteriorados e tomados pelo mato. A visita inclui a entrada em alguns lugares, mas nem todos, portanto é bom sempre conversar com o guia para falar dos seus interesses. Mas estão lá até hoje o hospital, a prisão, o supermercado, a escola, o ginásio de esportes, uma piscina, o estádio de futebol, um centro cultural e o parque de diversões, com a roda gigante e o carrinho bate-bate caindo aos pedaços. Em vários pontos nota-se símbolos e imagens que remetem ao comunismo.

No fim do passeio, ainda passamos em um memorial em homenagens às vítimas e em outro vilarejo, antes de voltarmos de van para Kiev. Não cheguei a ir porque na época que fui estava fechado para visitação, mas alguns tours agora também vão à instalação militar de Duga 3, um radar gigantesco que a União Soviética construiu para detectar possíveis misseis lançados durante a Guerra Fria. De qualquer forma, a experiência em Chernobyl é daquelas que ficam marcadas na vida para sempre.

             COMO VISITAR:

 

Para entrar na zona de exclusão e ir até a região de Chernobyl, é necessário fechar um tour guiado com alguma agência credenciada, que tenha a permissão do governo da Ucrânia para levar turistas até o local. Eu estava em Kiev (existem voos pra lá saindo de diversas cidades da Europa) e fiz o passeio com a Solo East Travel, que diz ser a mais antiga a oferecer esta excursão e me pareceu ser bem confiável.

 

Em 2012, paguei 150 dólares pelo tour de um dia, saindo da capital ucraniana por volta das 8h da manhã e voltando às 18h, com transporte em uma van com no máximo 15 pessoas, duas horas de viagem em cada trajeto, almoço e um seguro saúde obrigatório inclusos, além de um guia que falava inglês. Fechei tudo por e-mail apenas cinco dias antes, mas há descontos para quem faz a reserva com mais antecedência. Também é possível fazer o tour de dois dias, no qual você dorme em um hotel por ali e tem mais tempo para visitar as atrações.

              HOSPEDAGEM:

 

Quando fiz o tour de um dia em Chernobyl, eu estava hospedado em Kiev, durante a Eurocopa de 2012. É de lá que saem os passeios para região da usina nuclear. Na capital da Ucrânia, dormi em dois lugares diferentes, no Really Central Hostel (ou Hostel Kreschatik) e no Yaroslav Hostel. Mas a cidade é grande e conta com diversas opções de hospedagem em todas as faixas de preço.

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           IMPERDÍVEL:

 

- O cenário sinistro da cidade fantasma de Pripyat, com objetos deixados para trás e prédios abandonados após a evacuação.

QUER SABER MAIS SOBRE CHERNOBYL ? ACESSE TAMBÉM:

 

- Site da agência Solo East Travel

- Blog 360 Meridianos

 

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