ÁFRICA

Publicado em: 19/01/2018

Quando fui: Julho a Agosto de 2017

 

Quanto tempo: 23 dias

 

Países visitados: 5 (África do Sul, Zimbábue, Zâmbia, Botswana e Tanzânia)

ROTEIRO :

  • 1º dia - 18/7 (terça): RIO DE JANEIRO

  • 2º - 19/7 (quarta): JOANESBURGO

  • 3º - 20/7 (quinta): JOANESBURGO

  • 4º - 21/7 (sexta): JOANESBURGO / BULAWAYO

  • 5º - 22/7 (sábado): VICTORIA FALLS

  • 6º - 23/7 (domingo): VICTORIA FALLS

  • 7º - 24/7 (segunda): LIVINGSTONE

  • 8º - 25/7 (terça): LIVINGSTONE / CHOBE

  • 9º - 26/7 (quarta): LIVINGSTONE

  • 10º - 27/7 (quinta): LIVINGSTONE / LUSAKA

  • 11º - 28/7 (sexta): LUSAKA

  • 12º - 29/7 (sábado): ARUSHA

  • 13º - 30/7 (domingo): SAFÁRI (Tarangire)

  • 14º - 31/7 (segunda): SAFÁRI (Serengeti)

  • 15º - 1/8 (terça): SAFÁRI (Ngorongoro)

  • 16º - 2/8 (quarta): SAFÁRI / ARUSHA

  • 17º - 3/8 (quinta): ARUSHA / ZANZIBAR

  • 18º - 4/8 (sexta): ZANZIBAR

  • 19° - 5/8 (sábado): ZANZIBAR

  • 20º - 6/8 (domingo): ZANZIBAR

  • 21º - 7/8 (segunda): ZANZIBAR

  • 22º - 8/8 (terça): ZANZIBAR

  • 23º - 9/8 (quarta): DAR ES SALAAM / RIO DE JANEIRO

Em um continente enorme, diversificado e cheio de atrações, com 54 países, mas que muitas vezes é generalizado por uma visão apenas limitada, é difícil escolher quais lugares visitar em uma viagem com tempo contado. Eu tinha 23 dias disponíveis para fazer um mochilão pela África, e os destinos foram selecionados de acordo com uma série de fatores, e um deles foi a facilidade/preço de voos saindo do Brasil. Como constantemente existem ofertas para a África do Sul, o sul do continente foi o nosso destino, e também entraram no roteiro Zimbábue, Zâmbia, Tanzânia e uma rápida passada por Botswana.


Esta é uma das partes do continente em que há mais turistas, equiparando-se somente ao norte, onde estão os países com influências árabes, como Egito, Marrocos e Tunísia. Regiões, aliás, que não têm quase nada em comum uma com a outra, deixando bem evidente as diferentes experiências que a África pode proporcionar. 


Deixe de lado qualquer preconceito por causa da pobreza, desorganização ou falta de segurança. Não que isso não exista por lá. Existe, sim, são problemas conhecidos pelo mundo inteiro. Mas também existe bem mais do que isso, uma infinidade de coisas boas para conhecer. Eu poderia começar citando talvez a imagem turística mais emblemática: os espetaculares safáris, como o que fizemos nos famosos parques de Serengeti e Ngorongoro, na Tanzânia, e no Chobe, em Botswana. Posso falar também da grandiosa Victoria Falls, as cataratas que ficam na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbábue, local conhecido por várias atividade de aventura, como o rafting que fizemos. Outro destaque é a ilha de Zanzibar, na Tanzânia, com praias paradisíacas no melhor estilo Caribe. E certamente temos que destacar a alegria e simplicidade do povo africano (que em muitas coisas boas se parece com nós brasileiros), fato que pudemos vivenciar um pouco nas visitas a algumas vilas locais, como na área do Soweto, um dos símbolos do apartheid em Joanesburgo.


Sobre a segurança, claro que é preciso tomar certos cuidados, ficar esperto em determinadas situações, evitar lugares isolados, principalmente à noite ou se estiver sozinho. Como em muitos países com problemas sociais, existe o risco de roubo e furto, sempre tem aquelas pessoas ruins que querem dinheiro, e nós turistas viramos alvo. Mas cabe dizer que, tomando precauções, não aconteceu absolutamente nada com a gente., mesmo viajando de maneira independente. Costumo dizer que usando o bom senso as coisas sempre saem bem. Outra preocupação dos viajantes é a malária, doença transmitida por mosquitos que está presente em regiões tropicais da África (leia mais abaixo).

PARA ONDE MAIS IR: a Cidade do Cabo (Cape Town) é certamente o destino mais procurado que deixei fora deste mochilão, e a explicação vai aqui. Como em julho e agosto é inverno no sul da África, e faz frio mesmo neste extremo do continente, eu não quis ir para um lugar que parece ser tão legal sem poder aproveitar as praias e o calor. Ficou para uma próxima oportunidade no verão, quando também pretendo ir a outras partes da África do Sul, como a Garden Route e o Kruger Park. Em um roteiro de 40 dias que eu tinha montado anteriormente, também estavam previstos Moçambique (Tofo e Maputo), Malawi (Lago Malawi) e Suazilândia. Ali por perto, a Namíbia (dunas em Sossusvlei e safári no Etosha) é outra nação com atrações incríveis, além de outras atrações nos países que eu fui, como em Botswana (Deserto de Kalahari e Delta do Okavango).

              TRANSPORTE:

 

Por causa da distância das cidades que visitamos no sul da África, usamos o avião como meio de transporte na maioria dos deslocamentos. Apesar de serem poucas opções de voos na região e com preços não tão baixos assim, conseguimos achar um bom custo-benefício para montar o nosso roteiro. A logística de transportes não é tão simples como em outras partes do mundo, mas sempre é possível fazer adaptações. Como não tínhamos tanto tempo disponível, algumas vezes preferimos pagar um pouco a mais para voar, aos invés de ficar horas na estrada. Em determinados casos, porém, pegamos ônibus e trem para viagens dentro dos países, o que foi uma experiência bem interessante e muito mais em conta. Apesar de certa desorganização e dos veículos bem simples, tudo correu bem e sem nenhum grande problema. Com exceção, claro, de alguns atrasos, o que é normal e esperado no continente africano. “African time”, como o povo local mesmo diz. Faz parte, é não se estressar e entrar no clima de uma viagem especial. 

RIO DE JANEIRO – JOANESBURGO:

11h30 de viagem 


Voo da South African Airways, com conexão em São Paulo. No momento da compra pela internet, coloquei a opção “múltiplos destinos” e já garanti outros voos com bom preço na mesma transação. Na verdade comprei a ida como se fosse com destino final para Bulawayo, no Zimbábue, mas “quebrei” a conexão e fiz um stopover de dois dias em Joanesburgo. Na volta, coloquei a saída de Dar es Salaam, na Tanzânia, e fiz normalmente as conexões sem ficar em Joanesburgo e São Paulo, chegando ao Rio.

JOANESBURGO – BULAWAYO:
1h30 de viagem


Fiz este trajeto com o voo da South African Airways, pois valeu bem a pena o custo-benefício de preço e tempo. Outras companhias aéreas também fazem esta mesma rota ou voam da África do Sul para outras cidades do Zimbábue, como Victoria Falls, por exemplo. Também é possível ir de ônibus, viagem mais barata e bem mais longa. 
 

BULAWAYO – VICTORIA FALLS:

14h de viagem


Pegamos um trem noturno, que parte diariamente às 19h30, atrasou uma hora, e chegamos às 10h30. Compramos o ticket no dia da viagem direto na estação, e nosso trajeto ferroviário custou 12 dólares por pessoa em uma cabine com duas camas, bem simples e antiga. O vagão tinha banheiro, mas não tinha água, e não havia nada de comida ou bebida para comprar. A mesma viagem de Bulawayo a Vic Falls pode ser feita de ônibus em apenas seis horas, pelo dobro do preço, mas optamos pelo trem pela curiosidade mesmo.

VICTORIA FALLS – LIVINGSTONE:

1h de viagem


Cruzamos a pé a fronteira entre o Zimbábue e a Zâmbia. A distância entre os postos de imigração dos dois países é de 1,5km, e no caminho há a opção de táxis e triciclos para quem preferir. Depois de carimbar o passaporte e entrar em Livingstone, são quase 10km até o centro da cidade, então é preciso pegar um táxi, por 60 kwachas (7 dólares), ou agendar um transfer com o hostel/hotel. Contando o tempo do trâmite imigratório, reserve pelo menos 1 hora para a viagem.

LIVINGSTONE - CHOBE:

1 dia de safári


Fizemos o safári de um dia no Chobe National Park, em Botswana, em um bate-volta a partir de Livingstone. Pelo valor de 157 dólares, está incluso todo o passeio, transporte, taxas do parque, café da manhã e almoço, saindo do hostel às 7h da manhã e chegando de volta umas 18h. Mais detalhes no post do Chobe.

LIVINGSTONE – LUSAKA:

7h de viagem


Ônibus da empresa Shalom, por 140 kwachas (15 dólares), comprado com apenas um dia de antecedência direto no local. Saímos às 8h30 da manhã e teve atraso de 40 minutos, problema comum nos deslocamentos pela África. Esteja preparado para uma certa bagunça nas rodoviárias da Zâmbia, mas tendo atenção e bom senso, tudo dá certo.

LUSAKA – ARUSHA:

10h de viagem


Com três meses de antecedência, compramos pela internet um voo noturno da Fastjet, por 130 dólares, que fez escala em Harare, no Zimbábue, e conexão em Dar es Salaam, já na Tanzânia. Apesar das paradas, essa foi a melhor alternativa encontrada para o trajeto, já que não existe voo direto entre as duas cidades. A outra opção, que cogitamos fazer pela experiência, mas desistimos pela falta de tempo, é ainda mais cansativa: o trem Tazara. Este meio de transporte pelas ferrovias africanas liga a Zâmbia à Tanzânia, demora em média 52 horas de viagem, ou duas noites, pelo preço de 59 dólares. Ele parte de Kapiri Mposhi, perto de Lusaka, e vai até Dar es Salaam. Depois disso, ainda seria preciso pegar um voo ou um ônibus até Arusha.

SAFÁRI NA TANZÂNIA:

4 dias e 3 noites


Partindo de Arusha, fizemos o safári de quatro dias e três noites em campings, nos parques do Serengeti, Ngorongoro e Tarangire, pagando 750 dólares por pessoa em um jipe com quatro turistas, além do motorista/guia e o cozinheiro. Fechamos tudo com um mês de antecedência pela Greg Adventures, uma das agências mais baratas que encontramos e com boas referências. Mais detalhes no post do safári na Tanzânia.

ARUSHA – ZANZIBAR:

1h de viagem


Pegamos um voo da Air Tanzania direto para Zanzibar, por 95 dólares e uma hora de duração, comprado um mês e meio antes da viagem. Fizemos esta escolha ao invés de ter que pegar dez horas de ônibus saindo de Arusha até Dar es Salaam por 15 dólares, e no dia seguinte mais duas horas de ferry por 35 dólares.

ZANZIBAR – DAR ES SALAAM:

25 minutos de viagem


Apenas um dia antes de embarcar, compramos um voo da Precision Air que saía às 21h10, por 90 dólares e só 25 minutos no ar (tinha voo por 70 dólares mais cedo). Fizemos isso porque quisemos aproveitar melhor o dia em Zanzibar, já que o último ferry da ilha até Dar es Salaam partia às 15h30. 

             HOSPEDAGEM:

 

Como a maioria das cidades em que estivemos faz parte da rota turística, há opções de hospedagem para todos os bolsos. Ficamos quase sempre em quartos duplos de hostels, com um ótimo custo-benefício e boa estrutura, fazendo a reserva pela internet com cerca de um mês de antecedência. Em alguns casos, pegamos hotéis simples, mas sempre todos muito bem localizados e com bons preços. Zanzibar, na Tanzânia, foi o lugar mais caro, mesmo assim é possível achar alternativas mais em conta se você não ficar tão perto das praias mais badaladas.
 

*Veja nas páginas das cidades mais detalhes sobre cada hospedagem.

- FAÇA AQUI A SUA RESERVA PELO BOOKING.COM OU HOSTELWORLD.COM

             CUSTOS: Médio

 

Em média, o custo de uma viagem para esta região da África é mais alto do que quando fizemos os mochilões pelo Sudeste Asiático e América Central, mas mais baixo do que a maioria dos países europeus. Os valores para hospedagem, alimentação e transporte são bem aceitáveis, apesar de que a necessidade de pegar avião para determinados trajetos pode elevar os gastos. Mas o que de fato mais encarece a trip são as atividades. O safári na Tanzânia não é barato baixo, mesmo dormindo em barracas de camping. Os preços de passeios na fronteira de Zimbábue e Zâmbia, como o rafting e a Devil’s ou Angel’s Pool, também são altos.
 

Alguns exemplos:

 

- Safári de 4 dias e 3 noites na Tanzânia, em camping, saindo de Arusha: 750 dólares
- Rafting de meio dia no Rio Zambezi, em Victoria Falls: 120 dólares
- Voo de Arusha para Zanzibar, uma hora de viagem: 95 dólares
- Hotel na praia de Nungwi, em Zanzibar (Baraka Beach), diária do quarto duplo: 65 dólares
- Prato de frutos do mar em restaurantes nas praias de Zanzibar: 6 a 10 dólares
- Cerveja long neck no hostel de Livingstone, na Zâmbia: 1,30 dólar 

             COMIDA:

 

A culinária africana tem muitas semelhanças com a brasileira, portanto comemos por lá muitas coisas que estamos acostumados no nosso dia a dia, como arroz, feijão, legumes, carne vermelha, frango, peixe. Mas, claro, sempre existem algumas especialidades locais diferentes. E uma das que chamou mais a atenção e encontramos em muitos lugares era a “sadza”, nome usado no Zimbábue, ou “nshima”, como é chamada na Zâmbia, que é uma espécie de purê, um pouco mais consistente, feito à base de farinha de milho. Ela é servida geralmente como acompanhamento em pratos com carne e é comida com as mãos. Nos restaurantes na áreas turísticas, talheres são oferecidos, mas entrei no clima da cultura local e fiz uma refeição inteira comendo com as mãos em um lugar bem simples em Bulawayo.
 

A ilha de Zanzibar, na Tanzânia, é um excelente destino para quem gosta de peixes e frutos no mar. Em estabelecimentos nas praias, há pratos individuais de polvo ou lula a partir de uns 6 dólares, lagosta a partir de 10 dólares. Em média, mesmo nas áreas mais turísticas, é possível achar opções econômicas para comer bem e sem gastar muito na África.

             MALÁRIA:

 

Como se proteger da malária em uma viagem à África? Essa é uma dúvida frequente de todos que vão até o continente onde esta doença está disseminada, e com a gente não foi diferente. Pesquisamos bastante na internet antes de viajar, decidimos não tomar remédio para a prevenção, e nada aconteceu. Foi uma opção, e a seguir explicarei o motivo. Antes disso, vale explicar resumidamente que a malária é uma doença infecciosa transmitida através da picada de mosquitos, que tem como sintomas febre, dor de cabeça, vômito, dor nas articulações, e em casos graves pode levar até a morte. As áreas de maior risco para contraí-la são as regiões tropicais e subtropicais, boa parte da África subsariana, e isso inclui Zimbábue, Zâmbia e Tanzânia, países que visitamos neste mochilão.


Ainda não existe uma vacina contra a malária, por isso muita gente toma remédios antes de durante a viagem para prevení-la. Esses comprimidos, no entanto, não garantem que vocês está imune à doença, eles apenas diminuem o risco. A principal razão para decidir tão tomá-los foram os relatos de efeitos colaterais fortes, como tontura, inflamação no fígado, dor de estômago e até alucinações. Além disso, também pesou o alto preço desses medicamentos no Brasil e o fato de termos viajado na época da seca, o que reduz um pouco a quantidade de mosquitos.


Com isso, a nossa forma de prevenção foi usar repelente direto (e não pode ser qualquer um, precisa ser a base de DEET ou icaridina, contendo no mínimo 30%), vestir roupas cumpridas sempre que possível (principalmente à noite e logo cedo, pegamos temperatura amena no Zimbábue e Zâmbia, mas claro que no calor das praias da Tanzânia usamos roupas curtas mesmo), colocar os mosquiteiros, redes, ao redor da cama para dormir (quase todos os hotéis por lá têm isso) e tomar comprimidos de complexo B (dizem que o suor com esta vitamina espanta os mosquitos). Enfim, passar repelente no corpo é muito importante (compramos no Brasil da marca Exposis e depois outro lá no Zimbábue, e ficar ligado em eventuais sintomas da malária que pode surgir em até 15 dias depois da picada.

               IMPERDÍVEL:

 

- Mesmo com grana e tempo limitados, os dois parques mais famosos, SERENGETI E NGORONGORO, devem ser incluídos no itinerário do safári na TANZÂNIA.


- Vale a pena visitar os dois lados da VICTORIA FALLS. É no Zimbábue que se tem a melhor vista, e na Zâmbia é possível chegar mais perto das cataratas, além de ter a Devil's Pool.

- O RAFTING NO RIO ZAMBEZI é uma das atividades de aventura oferecidas em Victoria Falls e em Livingstone. Garantia de adrenalina, diversão, bela paisagem e, claro, cansaço também.


- Para conhecer melhor diferentes praias e evitar os longos deslocamentos, a dica é dividir a estadia em ZANZIBAR em mais de um lugar, como Nungwi e Paje, por exemplo.


- Os passeios em humildes vilas típicas locais foram um dos pontos altos do mochilão, como o SOWETO, na África do Sul, a Simonga Village, na Zâmbia, e uma Vila Masai, na Tanzânia.

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