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CAYE CAULKER: mergulho, tubarões, corais, como ir

O paraíso subaquático em uma pequena vila caribenha e o mergulho no Blue Hole
Publicado em:

Quando fui a Caye Caulker: Março de 2015

Quanto tempo: 3 dias

Por que Belize? O país com menor população, mais novo e único que não tem o espanhol como idioma oficial da América Central continental era o que mais me trazia curiosidade antes do mochilão pela região. O que tem para fazer lá? Essa falta de informações e a busca pelo desconhecido era justamente o que mais me atraía para visitar essa pequena nação de 340 mil habitantes, língua inglesa e um ar bem caribenho rastafári. Além disso, o outro grande motivo da viagem foi o Blue Hole, um dos lugares mais cobiçados do mundo para mergulho, ainda mais para quem tinha acabado de fazer o curso uma semana antes e ainda estava na empolgação.

Como, para variar, tínhamos pouco tempo disponível no roteiro durante o mochilão pela América Central, tivemos que escolher apenas uma cidade de Belize para conhecer, e a eleita foi Caye Caulker, o lugar favorito dos mochileiros segundo os guias que li. A ilha tem preços mais acessíveis, se comparada à vizinha Ambergris Caye & San Pedro, mas é mais cara que o restante do continente. Existem, de fato, vários viajantes econômicos por lá, mas a vibe do lugar é mais relaxante, com poucas opções de agito. “Go Slow”, como diz o próprio slogan da cidade. O ponto alto é o mar espetacular que cerca esta simpática vila de ruas de terra batida e também a famosa Barreira de Recifes de Belize (que está no Top 10 Belezas Naturais do Bora Viajar Agora), local onde fiz o melhor snorkel da minha vida dividindo o espaço com dezenas de tubarões, arraias, tartarugas e peixes das mais variadas espécies. Um verdadeiro paraíso subaquático.

Pela localização, Belize é um destino que penso que vale bem a pena ser visitado por quem faz aquela tradicional viagem para Cancún e adjacências no México. A partir dali, é possível pegar ônibus e ferry facilmente e aproveitar para conhecer um país bem diferente daqueles costumeiramente frequentados por brasileiros.

Para chegar lá, primeiro fizemos uma viagem de 4 horas e meia de ônibus de Flores, na Guatemala, até Belize City, incluindo a parada na imigração na fronteira. Depois, pegamos um ferry de mais 1 hora e meia, por 15 dólares, pela Belize Water Taxi. Nós fechamos o combo ônibus + ferry desde Flores, por 33 dólares, mas é possível comprar separado os dois tickets também. Ainda existe a opção de pegar um rápido voo de Belize City para Caye Caulker, pagando mais.

Para ir embora, pegamos um ferry por 55 dólares até Chetumal, no México, com parada na ilha de San Pedro, onde é feita a imigração. O trajeto total demorou cerca de três horas, já incluindo o tempo de espera, e é preciso pagar 20 dólares americanos (ou 40 dólares de Belize) de taxa de saída de Belize. Depois, pegamos um ônibus até Cancún. É bom reservar esse ferry no mínimo um dia antes, já que existe apenas uma partida por dia logo cedo. Também existe uma opção um pouco mais econômica para chegar ao território mexicano, que é voltar de ferry até Belize City e de lá pegar um ônibus, mas acaba sendo mais demorado.

Para se locomover em Caye Caulker, você não precisa mais do que suas pernas. Qualquer ponto da ilha é facilmente acessível com uma caminhada. Para quem se interessar, é possível alugar bicicleta. E para os mais preguiçosos, existem carrinhos de golfe que fazem o serviço de táxi. E, claro, diversos passeios de barco também são ofertados por agências.

HOSPEDAGEM:

Simples, barato e simpático. Pagando 17 dólares cada um em um quarto quádruplo, ficamos no Dirty McNasty’s Hostel, nome mais mochileiro impossível. O preço ainda incluía café da manhã e um atendimento bem cordial da recepcionista, que passou boas dicas e informações. Quando fomos, em março de 2015, o hostel estava passando por uma ampliação. Logo em frente, fica o Bella’s Hostel, que à noite estava com um ambiente mais animado do que o nosso.

– FAÇA AQUI A SUA RESERVA PELO BOOKING.COM OU HOSTELWORLD.COM

MERGULHO NO BLUE HOLE E SNORKEL:

O melhor snorkel da minha vida custou 50 dólares (preço negociado porque estávamos em nove pessoas), o passeio durou cinco horas (das 10h às 15h) e incluiu três paradas na Reserva Marinha de Hol Chan, em pontos de impressionante vida em baixo d´água. O principal deles é o Shark Ray Alley, onde é possível nadar sem qualquer perigo ao lado de dezenas de tubarões-lixa (nurse sharks) e arraias, inofensivos desde que não sejam provocados. Tudo isso a uma profundidade bem rasa e apenas com máscara, snorkel e pé de pato. É proibido alimentar os tubarões, mas alguns barqueiros fazem isso para atraí-los mais pra perto dos turistas. Nas outras paradas, também há muitas tartarugas e diversas espécies de peixe. Na volta, muito rum punch e snacks no barco.

A manhã seguinte foi dia de partir para o tour do mergulho no Great Blue Hole, que ainda incluiu mais dois mergulhos em outros pontos e uma parada para almoço da paradisíaca ilha de Half Moon Caye, tudo isso pelo salgado preço de 240 dólares, passeio que durou no total quase 11 horas (das 5h30 às 16h30). Para quem nunca fez curso de mergulho, é possível ir junto e fazer snorkel nas paradas, por cerca da metade do preço. O barco parte de Caye Caulker logo cedo e o trajeto até o Blue Hole demora umas duas horas.

O Blue Hole é um enorme atol de 300 metros de diâmetro e 122 metros de profundidade, localizado no mar do Caribe que pode ser visto até do espaço. Lá, com o curso básico de mergulho (open water), que foi o meu caso, é possível descer a até 18 metros e nadar entre algumas estalactites. Para quem tem o curso avançado, o mergulho é mais profundo e pode-se entrar em algumas cavernas subaquáticas. A vida marinha e a visibilidade ali não são tão grandes, às vezes é possível ver alguns tubarões, mas a experiência de mergulhar em um dos principais dive sites do planeta já compensa o preço. Depois disso, os outros dois pontos de mergulho te dão a possibilidade de ver uma diversidade bem maior de espécies, incluindo tartarugas, arraias, tubarões, peixes-leão, lagostas, moreias, entre outros. Antes do último mergulho, há uma parada na ilha de Half Moon Caye, para um tempinho de almoço, descanso e para aproveitar uma praia.

Existem várias agências na cidade que fazem o passeio de snorkel para Shark Ray Alley e alguns dive shops que vão até o Blue Hole, mas são menos opções e não saem todos os dias, depende do clima e do número de pessoas. Vale pesquisar e se informar por lá, foi o que fizemos e acabamos fechando as duas coisas com a Frenchies Diving, que eu certamente posso recomendar.

O QUE MAIS FAZER:

Além dos passeios no mar citados acima, Caye Caulker tem um local que é a concentração de turistas e moradores durante o dia, chamado de “Split”. O point que tenta ser uma praia nada mais é do que um deck de madeira onde as pessoas aproveitam para tomar sol, uma ou outra cervejinha e também ver o pôr do sol.

Na época que viajamos para lá, por causa de uma lei de fiscalização, o bar Lazy Lizard, que fica bem ali, estava proibido de vender bebida alcoólica. Mas a alguns metros dali era facilmente possível comprar cervejas e drinks e levar num balde para a “praia” que fica bem na ponta norte da ilha. Aliás, norte de um pedaço da ilha, porque o nome Split foi dado justamente depois que a ilha foi dividida em duas pelo furacão Hattie, em 1961, e a outra metade hoje é uma reserva ambiental praticamente inabitada.

À noite, uma das poucas opções de bagunça era o I&I Reggae Bar, mas vale a ressalva que não fiquei na cidade em quintas, sextas ou sábados, dias com maior chance de agitação.

IMPERDÍVEL:

– Aproveitar o paraíso subaquático, com passeio de snorkel no Shark Ray Alley e, para quem mergulha, o tour do Blue Hole.

– Dia de calor no Split, com direito a “praia” no deck, cerveja Belikin no Split e pôr do sol no fim da tarde.

– “Go Slow”, diz o slogan da pacata cidade. Portanto, vá devagar e aproveite sem pressa, seja saboreando um prato de frutos do bar ou uma jarra de rum punch.

QUER SABER MAIS SOBRE CAYE CAULKER ? ACESSE TAMBÉM:

Site oficial da cidade

​- Abrace o Mundo

​- 1000 dias por toda a América

​- TravelerBR

Tiago Leme
Tiago Lemehttps://www.boraviajaragora.com/
Jornalista, autor do Bora Viajar Agora, atualmente morando em Paris, trabalhando como freelancer. Já visitei 77 países. Os posts escritos neste blog são relatos de minhas viagens, com dicas e informações para ajudar outros viajantes.

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6 COMENTÁRIOS

  1. Estivemos em  Belize em abril de 2016 e como não temos certificação de mergulho, fizemos snorkeling saindo de Ambergrys Caye para Mexico Rocks. Para quem não pode fazer mergulho de cilindro, é fantástico!!!Numa tarde só mergulhamos com tubarões lixa, tartarugas, moreias e arraias. Além da beleza incrivel dos corais!!!Outro passeio que fizemos foi sobrevoar o Blue Hole. O preço é salgado, mas o visual é tão deslumbrante que emociona!
    Parabéns! Adorei o relato do Caribe – 20 dias

    • Oi Luciana, tudo bem? Que legal! Esse snorkeling com tubarões e arraias é mesmo espetacular. Fizemos no Shark Ray Alley, não sei se foi o mesmo lugar que você fez. Esse sobrevoo do Blue Hole eu não cheguei a fazer, mas deve ser emocionante mesmo! Quem sabe da próxima vez. Se tiver indicações, fique à vontade para deixar aqui e ajudar outros leitores. Obrigado por acompanhar o Bora! TIAGO

  2. Boa tarde Tiago,

    Em Belize qual é a ilha mais próxima para se fazer o mergulho no Shark Ray Alley ?

    Pretendo sair de Recife em Agosto desse ano (2017), sou mergulhador certificado. Vou fazer alguns mergulhos em Belize … devo ficar uns 5 dias em Belize e depois vou para a Ilha Holbox próximo de Cancun para mergulhar com os tubarões baleia. Qual é a ilha de Belize que você indica.

    Devo fazer o caminho até Cancun por terra, gostei da sua dica de ira até Chetumal no méxico de water taxi, de lá pegar um Ônibus. Esses ônibus partem com uma certa frequência para Cancun ? Dá para comprar lá na hora? O Rodoviária é perto de onde desembarcamos ?

    Gostaria de conhecer em Belize as ruínas maia, você tem alguma dica sobre as ruínas de Belize ?

    Em Belize é melhor fazer o Câmbio do US dólar para o dólar deles. Ou no comércio o câmbio é vantajoso.

    Desde já agradeço a atenção.

    Também estou começando a postar as minhas viagens no meu blog elaterraeumar.com

    • Fala, Rodrigo, tudo bem? Caye Caulker e Ambergris Caye (San Pedro) são as duas ilhas mais próximas do Shark Ray Alley, então dá pra ficar em qualquer uma delas. Eu recomendo Caye Caulker porque é um lugar mais barato, mas aí é questão de escolha.

      Depois, chegando de ferry em Chetumal, é preciso pegar um táxi até a rodoviária, que fica a uns 4 km do terminal de barcos. Quando eu fui, tinham vários taxistas lá na frente, alguns tentando cobrar caro pela corrida, então é bom negociar bem. O preço normal é no máximo 50 pesos mexicanos.

      Na rodoviária, é bem tranquilo comprar na hora o ônibus para Cancún, tem saída praticamente a cada hora pela empresa ADO ( https://www.ado.com.mx ). Paguei o equivalente a 25 dólares.

      Sobre ruínas maias em Belize, sei que tem Altún Ha e El Caracol, mas não fui a nenhuma delas, então não sei te dar muitos detalhes. Usei US dólar lá para tudo, eles aceitam em todo lugar, e nas casas de câmbio que vi não valia e pena fazer a troca. Diferentemente de Cancún, onde vale trocar por pesos. Legal seu blog também, Vou acompanhar. Aproveite a viagem!

      TIAGO

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