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MERZOUGA e o deserto do SAARA: guia, como ir ao Marrocos

Passando a noite em um acampamento berbere no maior deserto do mundo no Marrocos
Publicado em:

Quando fui ao deserto do Saara: Setembro de 2009

Quanto tempo: 3 dias

O maior e mais quente deserto do mundo compreende 11 países, abrange uma área total de pouco mais de 9 milhões de quilômetros quadrados, e é a partir do Marrocos o jeito mais fácil de visitar este ícone da paisagem do planeta Terra. Para quem pensa que o Saara é um destino inalcançável, fique sabendo que, com um pouco de planejamento e o espírito de viajante, é possível conhecê-lo.

Aliás, pela localização geográfica e pela oferta de voo saindo do continente europeu, Marrocos às vezes parece ser mais Europa do que África, principalmente para quem está na Espanha, pela proximidade. Claro que a diferença cultural ainda é grande, mas este país de maioria muçulmana do Norte africano recebe uma boa quantidade de turistas, cada vez mais ganha influências estrangeiras e tem preços baixos. Também é possível visitar o Deserto do Saara a partir da Tunísia, onde estivemos em 2019.

Estávamos em Marrakech e fechamos um tour de três dias e duas noites para o Saara, com a primeira noite perto da cidade de Ouarzazate, depois de visitarmos Ait-Ben-Haddou, e a outra em um acampamento berbere no meio do deserto, com direito a passeio de camelo, próximo a Merzouga, quase fronteira com a Argélia. Tivemos essa experiência incrível em 2009 e, não por acaso, o Saara marroquino está na lista das Top 10 Belezas Naturais do Bora. Depois, em 2023, voltei ao Marrocos duas vezes e visitei as cidades de Fez, Tânger, Chefchaouen, Rabat e Casablanca.

FECHANDO O PASSEIO:

Desembarcamos no Marrocos em Marrakech, em um voo Vueling vindo de Barcelona. Depois de chegarmos e nos acomodarmos, o passo seguinte foi procurar um jeito de ir para o deserto. Como não tínhamos muito tempo para pesquisar opções pelas ruas da confusa Medina, aceitamos a indicação do cara da pousada que estávamos, que tinha uma “agência de turismo” para esse tipo de tour.

Ele nos levou até uma loja de sapatos em uma dessas apertadas vielas, e fomos recebidos por um simpático marroquino, que nos serviu chá verde grátis e nos acomodou dentro da loja. Sob um calor de 40 graus, sentados no chão, em bancos improvisados ou em cima dos sapatos, começamos a negociar. Éramos em nove pessoas e, depois de muita conversa e de pechincharmos bastante, acertamos o preço. Em setembro de 2009, pagamos 80 libras esterlinas (1000 dirhams) cada um pelo pacote, incluindo o transporte em van, duas noites de acomodação, almoço e o passeio de camelo pelo deserto. Quando fomos, era mais difícil ter informações confiáveis desse tipo de passeio via internet, mas atualmente a facilidade é maior e existem sites onde é possível pesquisar e reservar com antecedência.

Uma coisa importante: existem diversos pontos do deserto para se visitar, alguns nem tão espetaculares quanto outros. O nome certo é a aldeia de Merzouga, logo ao lado de Erg Chebbi, o maior conjunto de dunas de Marrocos. Lá é possível encontrar altas dunas de areia e aquele belo visual que se imagina de um deserto. O guia tentou nos empurrar uma ida a Mhamid, ao invés de Merzouga, citando mil e uma qualidades deste outro lugar. Quem chega lá sem ter pesquisado nada, certamente cai na lábia esperta dele, que quer ir para um lugar mais perto, mais acessível, mas não tão bom.

DUAS NOITES DE TOUR:

No dia seguinte à negociação, com um certo atraso na saída marcada para as 7h da manhã, partimos. Estávamos em dez pessoas na van, nós nove e mais o motorista/guia, sendo que a capacidade máxima permitida no veículo era nove pessoas. “Se tiver alguma blitz de polícia no caminho, um de vocês abaixa e se esconde”, disse nosso guia, que pouco antes tinha tentado chamar um amigo com outra van e depois tentou nos convencer novamente a ir para Mhamid (porque ele disse que conhecia os policiais dessa estrada). No fim, fomos pra Merzouga mesmo.

Depois de umas quatro horas de estrada, passando pelas montanhas do Atltas, com uma rápida parada para comer, chegamos a Ait-Ben-Haddou. A interessante cidade fortificada, com várias casinhas em uma colina, foi cenário para a gravação de vários filmes hollywoodianos, como “A Múmia”, “Gladiador” e “Alexandre”. Depois disso e mais horas de viagem, chegamos no hotel Les 5 Lunes, perto da cidade de Ouarzazate, onde passamos a noite. Local agradável, tradicionalmente marroquino, com direito a jantar típico e o dono do local tocando violão na sacada ao ar livre em uma noite enluarada.

No segundo dia de tour, logo cedo pegamos a estrada novamente e seguimos para Merzouga. Chegamos na beira do deserto por volta das 16h e almoçamos por ali. Foi a melhor refeição nossa no Marrocos, não só pela comida, mas também pelo ambiente típico e pelo visual ao fundo com as dunas de areia. No final da tarde, começamos o trajeto de duas horas andando de camelo rumo a um acampamento no meio do deserto. Isso mesmo. Uma viagem a camelo pelas dunas de areia do Saara, com direito a uma parada para ver o pôr do sol. No início da noite, chegamos ao acampamento, umas tendas a céu aberto onde passamos a noite. Antes de dormir, mais um jantar típico, música marroquina e um visual inexplicável.

Apesar do forte calor durante o dia, as horas em cima do camelo são tranquilamente suportáveis com a companhia de uma garrafa d’água. Pelo horário, já no fim da tarde, o sol estava bem mais baixo, amenizando o “forno”. Quem mais sofriam eram os guias/beduínos, que faziam o trajeto a pé na areia e, em setembro quando fomos, era justamente o período de Ramadã, então eles não podiam nem sequer beber água. Tenso.

Aí vai uma dica para quem quiser “esquentar” a noite com um pouco de álcool: compre vinho, vodka ou qualquer outra bebida em Marrakech ou outra cidade maior. No caminho para o deserto é praticamente impossível achar, já que a religião islâmica não permite. E caso encontre, será bem mais caro.

Depois da excêntrica noite no Saara e mais duas horas em cima do camelo no caminho de volta no dia seguinte logo cedo, pegamos a van e fizemos o trajeto de volta até Marrakech, onde chegamos já durante a noite. Vale citar que existem outras opções de tour oferecidos em agências em Marrakesh, como passeio de jipe 4×4 no deserto, com um valor mais alto.

– FAÇA AQUI A SUA RESERVA PELO BOOKING.COM OU HOSTELWORLD.COM

IMPERDÍVEL:

– Merzouga, ao lado das dunas de Erg Chebbi, é o destino certo para conhecer o Saara. Atenção, pois podem te “empurrar” outro ponto do deserto não tão bonito.

– Quem quiser levar um vinho ou bebida alcóolica para animar a noite no deserto, compre antes de sair das cidades maiores. No caminho, é difícil achar e mais caro.

– Nunca é demais lembrar: pechinche bastante antes de fechar o tour, seja em qual agência for no Marrocos.

QUER SABER MAIS SOBRE O DESERTO DO SAARA ? ACESSE TAMBÉM:

Site oficial da cidade

Blog Deixa de Frescura

Tiago Lemehttps://www.boraviajaragora.com/
Jornalista, autor do Bora Viajar Agora, atualmente morando em Paris, trabalhando como freelancer. Já visitei 89 países. Os posts escritos neste blog são relatos de minhas viagens, com dicas e informações para ajudar outros viajantes.

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