BELÉM

A cidade onde Jesus nasceu e o polêmico muro de separação

Publicado em: 01/02/2016

Quando fui: Outubro de 2011

 

Quanto tempo: 1 dia

Principalmente para os cristãos, a viagem ao Oriente Médio só pode ser considerada completa depois da visita a Belém (Bethlehem, em inglês), que fica na Palestina, a apenas 10 quilômetros da Jerusalém. Local de nascimento de Jesus Cristo, a cidade atualmente é habitada por maioria muçulmana. E é justamente por causa desse interminável conflito cultural entre os povos, a outra grande atração do lugar: o polêmico muro de separação entre os territórios israelense e palestino.

 

Apesar de certa tensão prévia, a ida até lá pode ser feita com relativa segurança pelos viajantes internacionais, já que, especificamente neste local, cristãos e muçulmanos convivem em paz quase sempre (claro que vale checar antes se há algum problema maior na região). Belém é uma pequena cidade de 30 mil habitantes, localizada na Cisjordânia (West Bank), a área mais tranquila do atual Estado da Palestina, que foi dividido geograficamente por Israel. A outra, a Faixa de Gaza, é conhecida pelas constantes guerras com o país vizinho, o que praticamente impossibilita o turismo.

 

Quando estive em Belém, em outubro de 2011, fiz uma day trip a partir de Jerusalém, que é o que a maioria das pessoas faz. Para quem tiver mais tempo e preferir dormir lá, existem hostels e também hotéis maiores. Em um dia, além de conhecer a Igreja da Natividade entre outras, também foi possível presenciar a triste situação de uma população isolada por uma barreira gigante de concreto, vigiada por um exército inimigo fortemente armado. E para dar cor a esse polêmico muro cinza, desenhos de diversos artistas feitos como forma de protesto viraram ponto turístico do lado palestino.

             TRANSPORTE:

 

Na ida, pegamos um ônibus circular em Jerusalém, quase em frente ao Jaffa Gate, e depois de cerca de meia hora descemos no ponto final, já em Belém, sem precisar passar por qualquer checkpoint. Na volta, andamos até um dos checkpoints de saída da Palestina, “atravessamos” o muro e precisamos passar pela imigração de Israel (é necessário levar o passaporte), mas sem qualquer problema (ser brasileiro ajuda nessas horas). Depois, logo em frente pegamos um ônibus de volta para a Old City. Existem agências que fazem a excursão saindo de Jerusalém, mas o custo é bem mais alto e você sempre fica na dependência de um grupo.

 

Dentro de Belém, é possível andar tranquilamente a pé na parte central para chegar aos principais pontos de interesse. Alguns taxistas ficam no ponto final do ônibus tentando pegar passageiros, mas uma caminhada é suficiente para ir até a Igreja da Natividade e também depois até o checkpoint na saída da cidade.

             HOSPEDAGEM:

 

Não chegamos a dormir em Belém, mas existem boas opções de hotel e hostel na cidade, em média mais baratos do que em Israel. Nós fizemos um bate-volta na Palestina saindo de Jerusalém, onde ficamos hospedados no Citadel Youth Hostel, na Old City,  por 60 shekels (12 euros) a diária, em quarto compartilhado.

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             O QUE FAZER:

 

A principal atração é a Igreja da Natividade, que foi construída no ano de 326 em cima do local do nascimento de Jesus de Nazaré. Depois de se abaixar para entrar por uma porta de apenas 1,25 metro de altura, o interior da construção é repleto de detalhes com certa simplicidade, que nem de longe lembram a imponência de determinadas igrejas, mas é um dos pontos mais sagrados do mundo para os cristãos e costuma ficar lotado de peregrinos. No subsolo, fica a Gruta da Natividade, e dentro dela há no chão uma estrela de prata, que marca o lugar exato onde acredita-se que Jesus nasceu. Normalmente, há fila para descer na estreita escada e tirar uma foto abaixado ao lado do ponto mais cobiçado da igreja. Ali embaixo também está o local onde a manjedoura teria ficado.

 

Anexa à Igreja da Natividade, fica a Igreja de Santa Catarina (onde é realizada anualmente a Missa do Galo), mais nova, além de túmulos de são Jerônimo e Eusébio. Do outro lado da praça Manger está a Mesquita do Califa Omar, maior reduto muçulmano de Belém. Ali por perto, também fui na Capela Gruta do Leite (Milk Grotto Chapel), onde a tradição cristã diz que Maria teria se escondido, enquanto fugia dos romanos, para amamentar o menino Jesus, e o leite teria deixado as paredes todas brancas. Na praça principal da cidade existe um centro de informações ao turista que pode dar boas dicas e detalhes sobre os demais pontos de interesse, como o campo de refugiados de Daisha, que fica nos arredores. Por ali, também existem muitas lojas de souvenirs interessantes.

 

Na caminhada de saída de Belém, percorremos um bom trecho ao lado do polêmico muro de separação da Cisjordânia, que começou a ser construído por Israel em 2002 com a justificativa de se evitar a infiltração de terroristas no país. A enorme barreira de concreto tem 8 metros de altura em alguns pontos, intimidadoras cercas de arame farpados em outros e é fortemente vigiada por câmeras de segurança e militares armados. Hoje, o muro tem boa parte de sua extensão do lado palestino coberta por mensagens e grafites desenhados por vários artistas (os mais famosos são do inglês Banksy), feitos como forma de protesto pela situação que isolou boa parte da população.

             SEGURANÇA:

 

Nunca é demais reiterar, já que a segurança é uma preocupação que afasta muitos visitantes da Palestina. Diferentemente do que acontece na Faixa de Gaza (onde os conflitos e bombas são frequentes, o que praticamente impossibilita o turismo), a Cisjordânia é uma região com certa tranquilidade na maioria dos lugares turísticos (claro que vale sempre checar antes de ir se não há algum problema no momento). A visita a Belém pode ser considerada segura para os viajantes estrangeiros. Apesar da tensão na travessia pelo checkpoint israelense, da presença constante de homens do exército com metralhadoras e de todo o aparato de segurança, não me senti inseguro em nenhum momento, nem em Israel e nem na Palestina. Vale bastante a pena a experiência.

              IMPERDÍVEL:

 

- Acredite você ou não em um Deus, ir ao local de nascimento de Jesus Cristo e ver a história da religião fazem a visita a Igreja da Natividade valer bastante a pena.

 

- Caminhar ao lado do muro de separação do lado da Palestina, atualmente coberto por grafites e mensagens de protestos feitos por diversos artistas.

 

- Independentemente de seu pensamento político e religioso sobre os conflitos, o conselho para o viajante é evitar opiniões fortes em uma zona de tensão. Falar que é brasileiro sempre ajuda nesses casos.

QUER SABER MAIS SOBRE BELÉM ? ACESSE TAMBÉM:

 

- Site oficial da cidade

- Blog Cumbicão

- Turista Profissional

 

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