JOANESBURGO

História do Apartheid, Soweto e leões na porta de entrada da África 

Publicado em: 11/02/2019

Quando fui: Julho de 2017

 

Quanto tempo: 2 dias

Joanesburgo, a maior e mais urbana cidade da África do Sul, é a porta de entrada para grande parte das viagens no continente africano. Muita gente usa apenas como uma conexão de voo, mas este importantíssimo lugar na história do Apartheid, o lamentável regime de segregação racial que foi adotado no passado do país, merece uma visita maior. Destaques para o passeio no distrito de Soweto, um conjunto de bairros para negros onde Nelson Mandela morou, e para o Lion Park, onde é possível fazer um mini safári com leões e vários outros animais.

 

Passei dois dias em Joanesburgo em julho de 2017, no início do mochilão pela África (veja o roteiro completo), aproveitando justamente uma conexão. Mas ao invés de ficar apenas algumas horas no aeroporto, desmembrei o voo para ter mais tempo por lá e conhecer a cidade. Valeu bem a pena, despertou a vontade de explorar melhor outras partes da África do Sul. Como viajei na época do inverno no hemisfério sul, optei por não ir desta vez à Cidade do Cabo e à costa leste do país, cidades com praias que seriam melhores aproveitadas no verão. Com isso, depois segui para o Zimbábue, Zâmbia, Botswana e Tanzânia.

 

Com uma população de mais de cinco milhões de pessoas, Joanesburgo é uma metrópole com um contraste social bem grande, com alguns bairros ricos e muitas áreas pobres. A violência é um fator de preocupação de muitos turistas, é preciso ter cuidado nas ruas, principalmente à noite. No entanto, evitando determinadas regiões e tomando as mesmas precauções de segurança que em qualquer cidade grande do Brasil, a viagem a este interessantíssimo destino sul-africano deve acontecer sem maiores problemas. Atualmente, com negros e brancos podendo dividir o mesmo espaço, Joanesburgo se tornou muito mais agradável e mais democrática. Recomendo a visita!

              TRANSPORTE:

Joanesburgo é ponto de conexão de boa parte dos voos que sai do Brasil e tem como destino final algum país do sul do continente africano. Foi assim que conheci esta cidade sul-africana, voando pela South African Airways, antes de seguir viagem para o Zimbábue. Para ir de lá a outros lugares da África do Sul e países próximos, além de voo, também é possível ir de ônibus. Chegando no aeroporto internacional OR Tambo, pegamos o Gautrain até o centro de Joanesburgo, por 162 rands (12 dólares) + 16 rands (1,2 dólar) do cartão. Este eficiente trem para em pontos como Sandton e Rosebank, e tem uma linha que vai até a capital Pretória, mas descemos na Park Station, de onde ainda tivemos que pegar um táxi até o nosso hostel em Maboneng.

 

Para circular na cidade, o transporte público é insuficiente para cobrir a grande extensão territorial, perigoso em certas áreas e pouco útil para os turistas. Por isso, Uber, táxi e aluguel de carro são as melhores opções. Quase sempre usamos Uber, por ser mais seguro e mais barato. Uma corrida de Maboneng até o aeroporto custou 130 rands (10 dólares), de Maboneng até o Lion Park saiu por 550 rands (41 dólares), da Praça Gandhi até o Museu do Apartheid foi 70 rands (5 dólares), de Soweto até Maboneng foi 170 rands (13 dólares) e de Sandton até Maboneng custou 150 rands (11 dólares). Preços justos pelas distâncias percorridas.

             HOSPEDAGEM:

 

Como Joanesburgo é uma cidade grande, escolher bem a região onde se hospedar é importante para a logística da viagem. Decidimos ficar em Maboneng, bem perto do centro, um bairro que antigamente estava abandonado com fábricas e armazéns velhos, mas atualmente está revitalizado e abriga galerias de arte, lojas e restaurantes. Ficamos no hostel Curiocity Backpackers, por 265 rands (20 dólares) por pessoa a diária em um dormitório compartilhado com quatro camas. O local funciona em um prédio que antes era uma gráfica de jornal contra o Apartheid. Bem estruturado, com um bar animado e bom espaço em comum para a interação entre os hóspedes e mochileiros. Uma cerveja lá, por exemplo, custa a partir de 25 rands (1,75 dólar). Ótimo preço. É certamente um dos melhores hostels de Joanesburgo.

 

Outros bairros para hospedagem bastante procurados pelos turistas são Sandton, principalmente, e Rosebank, áreas mais novas e mais ricas, com mais variedade de hotéis, comércio e shoppings. Já para quem quer uma experiência mais raiz, ficar em um hostel no distrito de Soweto também é uma opção.

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               O QUE FAZER:

 

Quando decidimos ficar os dois dias em Joanesburgo, tínhamos como prioridade conhecer dois lugares: Soweto (que merece um tópico especial, portanto, leia mais abaixo) e o Lion Park. Logo que chegamos, fomos a esta segunda atração para ver os leões. O Lion Park fica afastado, a aproximadamente 60km do centro da cidade, trajeto que fizemos de Uber em pouco mais de uma hora. Chegando lá, são diversas as opções de atividades para escolher.

 

A principal atração do parque é uma espécie de mini safári, que você vai dentro de uma caminhonete em um área cercada bem extensa onde estão os animais. Também é possível ir dirigindo o seu próprio carro. Neste espaço, além dos leões, também há girafas, zebras, gnus, cachorros selvagens… Em 2017, pagamos 195 rands (14 dólares) pelo tour de uma hora, mas existem outras opções (confira aqui a lista completa das atividades e preços atualizados do Lion Park). Uma boa dica é ir na hora do almoço, quando os leões estão sendo alimentados. Vale deixar claro que não é exatamente um safári de verdade, já que os animais não estão soltos na natureza e nem caçam sua própria comida, predadores e herbívoros estão separados por grades. Por isso, parece mais com um zoológico, fato que gera certa polêmica, apesar de “garantirem” que os bichos são bem tratados.

 

Ainda fizemos mais duas atividades no parque. Uma delas foi a interação com filhotes de leão, por 60 rands (4 dólares), durante uns 15 minutos dentro de uma jaula. A outra foi alimentar girafas, talvez a parte mais legal do Lion Park, já que elas ficam soltas em um espaço, não há limite de tempo e rende boas fotos e vídeos. Para isso, é só comprar um saquinho com comida, que custou apenas 30 rands (2 dólares).

 

Depois que saímos de lá, fomos ao Nelson Mandela Square, um grande shopping center no bairro de Sandton, com boas lojas e restaurantes. Na área externa, há uma estátua gigante do lendário ex-presidente da África do Sul, que dá nome ao empreendimento.

 

No segundo dia, pela manhã caminhamos pelo centro de Joanesburgo, subimos no Carlton Centre, também conhecido como Top of Africa (ingresso a 15 rands, ou 1 dólar), o prédio mais alto do continente africano com 223 metros de altura, e passamos na Praça Gandhi. De lá, pegamos um Uber até o Museu do Apartheid, atração imperdível na cidade. O ingresso do museu custou 85 rands (6 dólares), e saímos de lá com uma verdadeira aula e exemplos de como era o regime de segregação racial, que foi adotado no país entre 1948 e 1994, com a minoria branca da população tirando direitos básicos dos negros. Depois, ainda continuamos vendo de perto esta história com o passeio em Soweto.

 

A cidade ainda conta com alguns outros museus e parques, e entre as coisas que não fizemos vale citar o Constitution Hill, local onde antigamente funcionava uma prisão na época do Apartheid e um forte militar, e atualmente abriga a Corte Constitucional sul-africana.

                 SOWETO:

 

Soweto significa “South Western Townships”, ou “Bairros do Sudoeste”, um distrito criado para abrigar a população negra, que era impedida pelos brancos de ter acesso a determinados lugares durante o Apartheid. O local ficou conhecido como centro de resistência e de protestos dos negros contra o lamentável regime de discriminação racial na África do Sul.  Fechamos pela internet um passeio a pé por Soweto, organizado pelo hostel Lebo’s Soweto Backpackers, com duração de três horas e com almoço incluído, por 370 rands (28 dólares) por pessoa. Também é possível fazer o tour de bicicleta ou tuk-tuk.

 

Fizemos o passeio no período da tarde, então logo que chegamos ao hostel nos serviram o almoço, comida típica em um agradável espaço ao ar livre. Depois começamos a nossa caminhada, passando por diversos pontos de Soweto, que é uma região bem extensa, um conjunto de vários bairros, com um total de cerca de 1,5 milhão de habitantes.  No dia que estivemos lá, fizemos o tour apenas nós dois, sem mais ninguém, então tivemos o guia à disposição para bastante explicação. Passamos por lugares bem pobres, com muita sujeira, ruas de terra batida e barracos, num estilo bem parecido com algumas favelas do Brasil. Mas também vimos áreas com casas bem grandes, novas e bem cuidadas, mostrando que atualmente pessoas com dinheiro também moram por lá.

 

Entre as atrações de destaque de Soweto estão a Rua Vilakazi, onde fica a Mandela House, antiga casa do ex-presidente Nelson Mandela e sua família, que moraram de 1946 até os anos 90. Pagamos 60 rands (4 dólares) no ingresso para visitar o que hoje é um pequeno museu. Na mesma rua também morou o arcebispo Desmond Tutu, outro que ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Perto dali fica uma praça com o Memorial de Hector Pieterson, um estudante de 13 anos morto pelo polícia no chamado Massacre de Soweto, em 1976, durante protestos dos negros contra o Apartheid. Também vimos as Orlando Towers, duas grandes torres de uma antiga usina, que agora é uma área de entretenimento e tem um bungee jump.

 

Mas talvez o mais legal do tour tenha sido o contato com as crianças, de uma simpatia contagiante apesar de todos os problemas enfrentados. Quase todos os meninos e meninas que cruzamos nas ruas esticavam a mão e pediam um “high five” como cumprimento. Pra fechar, eu ainda joguei futebol com um grupo de crianças na rua e aproveitei para distribuir umas camisetas da seleção brasileira que eu tinha levado. A experiência em Soweto foi definitivamente um dos destaques de toda essa viagem pela África!

               SEGURANÇA:

 

A violência é uma preocupação da maioria dos turistas antes de viajar para Joanesburgo e, de fato, é necessário ter atenção em muitas regiões, principalmente à noite.  A segurança hoje em dia já é melhor do que no passado. No entanto, é sempre bom tomar as mesmas precauções que temos nas cidades grande do Brasil. Das áreas mais turísticas, o movimentado centro de Joanesburgo é onde devemos ter mais cuidado. Perto dali, Maboneng, onde fiquei hospedado, se revitalizou nos últimos anos e afastou um pouco do perigo. Nos bairros mais ricos, como Sandton e Rosebank, teoricamente a segurança é melhor. Mas nada de paranoia. Tendo bom senso ao andar nas ruas, ao pegar Uber ou táxi e ao conversar com desconhecidos, tudo deve sair bem. Não tive qualquer problema nos dias que fiquei lá.

              IMPERDÍVEL:

 

- Sem dúvida, o tour em Soweto é o grande destaque de Joanesburgo, pela história envolvida e também pela simpatia das crianças locais.

 

- Como a cidade é extensa e o transporte público não chega a todos os pontos de interesse, usar Uber ou alugar um carro é essencial.

 

- Vale sempre ter atenção quanto a segurança nas ruas, mas reserve alguns dias para conhecer a cidade, não use apenas como conexão de voo.

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